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Bombeiros abandonados ao seu destino

A opinião de Célia Bonet

Opinião

Comemorámos recentemente o aniversário do Corpo de Bombeiros de Tomar, que nos poderá ajudar a efetuar uma reflexão sobre muitos dos temas abordados nos diferentes discursos e referidos por alguns dos intervenientes.

Os trabalhadores da Câmara Municipal de Tomar são o seu melhor ativo e, devem ser valorizados e acarinhados. São indispensáveis no seu todo, nas suas diferentes funções e atendendo às características individuais de cada um.

É assim que acontece em todo o mundo civilizado. Não apenas por motivos solidários e sociais, mas também porque está provado na gestão moderna que, a produtividade está diretamente relacionada com o modo como cada organização gere os seus recursos humanos. Hoje em dia, todos conhecemos casos de sucesso que valorizam os seus trabalhadores com vários tipos de benefícios, que acrescentam aos seus ordenados e, cuja produtividade cresce significativamente.

Este executivo municipal, tem sido um pesadelo a gerir os seus recursos humanos. Já todos sabemos e ouvimos episódios da forma como trata o seu bem mais precioso, não valorizando, desprezando e ignorando os seus problemas.

Quando deveria ser um bom exemplo para todas as outras empresas do concelho, vem a público, que menospreza parte dos rendimentos de uma categoria dos seus funcionários, deixando-os fragilizados a eles e às suas famílias. Refiro-me concretamente aos Bombeiros Municipais.

Nas comemorações do aniversário dos bombeiros de Tomar e, durante os discursos, muito bonitos e sentidos, ouvimos da parte da Srª Presidente da Câmara Municipal de Tomar, que estaria a tentar resolver a forma de lhes pagar, pois tinha conhecimento das dificuldades que as suas famílias estariam a atravessar. Desde agosto de 2018 que o executivo não paga a estes funcionários da Câmara Municipal de Tomar, parte dos seus rendimentos. Ou seja, mais concretamente, não podendo/querendo chamar-lhe horas extraordinárias, pede a estes homens e mulheres para fazerem piquetes em regime de voluntariado em troca de uma mísera compensação de 2€/hora. Os bombeiros aceitam este tipo de compensação por dois motivos essenciais. Porque reconhecem que o seu trabalho também é uma missão. E porque muitos deles têm ordenados reduzidos, e recebem este pequeno conforto nos seus rendimentos mensais.

A título de exemplo, um piquete diurno de domingo são 13 horas ou seja 26 euros se trabalharem até às 21 h, porque a partir dessa hora não recebem , é voluntariado, é pro bono. E estes homens e mulheres oferecem muitas horas neste tipo de voluntariado.

O executivo da C.M.T é responsável por gerir o orçamento num montante superior a 30 milhões de euros e não ter disponibilidade para pagar a estes funcionários durante mais de seis meses é no mínimo repugnante. Gerir, é alocar os recursos limitados às necessidades do município e, não é possível compreender como é que este montante não é uma das prioridades no orçamento.

Estes homens e mulheres correm risco de vida inúmeras vezes para nos colocar em segurança, são funcionários qualificados a quem são exigidas formações específicas, podem ser responsabilizados porque muitas vezes têm, nas suas mãos a vida de outras pessoas, pelo que devem ser valorizados. Segundo as palavras da Srª Presidente da Câmara as suas famílias estão a passar dificuldades e isso é completamente inaceitável.

O executivo argumenta que não tem base legal para realizar este tipo de pagamentos pois os bombeiros são municipais e voluntários, o que causa um vazio legal para proceder a estes pagamentos.

Ficamos ainda mais apreensivos atendendo a que há mais de cinco anos que este executivo do PS paga este tipo de compensação aos bombeiros. Tem ao seu dispôr cinco juristas, duas advogadas síndicas e um gabinete de advogados de Lisboa para encontrar a solução para este problema. Não pode de modo algum esperar mais de seis meses sem resolver esta enorme confusão.

É agora compreensível porque motivo nos últimos 6 meses já se aposentaram 3 bombeiros e outros tantos têm já o pedido efetuado. Esta semana houve uma aposentação e existem pelo menos mais dois que já o solicitaram. Antigamente acontecia exatamente o inverso, os bombeiros atingiam a idade da reforma e quando se encontravam em condições físicas e psicológicas, apresentavam requerimento para continuarem a trabalhar. E, como disse a Srª Presidente no discurso já referido, o concurso que está a decorrer para admissão de bombeiros regista poucos candidatos, o que se compreende perfeitamente.

Um outro assunto que envolve a corporação de bombeiros de Tomar é o fim dos serviços de transporte de doentes que prejudica em muito os Tomarenses. Uma decisão da Srª Presidente da Câmara, alegando falta de recursos humanos para garantir os serviços de urgência e os serviços de transporte de doentes. Este motivo não tem fundamento, pois segundo o estudo efetuado e, atendendo ao número de bombeiros disponíveis seria possível manter este serviço embora com uma margem mais limitada.

A falta de pagamento das compensações devidas e a incapacidade de captar novos bombeiros para a corporação, leva a que não tenhamos no nosso concelho este serviço de transporte de doentes. Dependemos de outros corpos de bombeiros dos concelhos vizinhos e de empresas particulares que disponibilizam este serviço. É importante realçar que este serviço era rentável para o município, pelo que é ainda mais incompreensível esta decisão.

Este facto deixa incomodados os nossos bombeiros que têm uma longa e valiosa história ao serviço dos Tomarenses e se vêem ultrapassados por corporações de concelhos vizinhos.

                                           Célia Bonet

                     Vereadora do PSD na câmara de Tomar

Escrita por Célia Bonet

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  1. “pede a estes homens e mulheres para fazerem piquetes em regime de voluntariado em troca de uma mísera compensação de 2€/hora”… Pede? Sou voluntário e fui para lá porque quis.. Ninguem me obrigou

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