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Acabar com o equívoco

Opinião

Convento de Santa Iria

A questão já foi parcialmente abordada neste blogue, em comentários e até num meu texto anterior. Merece porém maior detalhe, sob pena de continuarmos a perder tempo, numa espécie de diálogo de surdos armadilhado.

Refiro-me ao relacionamento corrente entre os cidadãos eleitores e os detentores do poder local por eles eleitos.

A experiência colhida mostra que a atitude preferida pela maioria autárquica é o silêncio altaneiro. Tipo “não vale a pena responder, estamos a trabalhar bem, as críticas não passam de má-língua”. Apesar desta posição defensiva e encastelada, quando os reparos atingem alguma repercussão na comunidade, a presidente (e ultimamente também o vereador Cristóvão) lá vão respondendo aos soluços, numa postura que não engana senão os apoiantes incondicionais. Fazem-no forçados e contrariados, usando os meios de comunicação às suas ordens, mediante substanciais subsídios prévios. O exemplo mais recente é o do Cidade de Tomar.

Contemplado há pouco com um subsídio disfarçado de quase 75 mil euros, publicou esta semana uma longa entrevista com Anabela Freitas, durante a qual não foi feita nenhuma pergunta incómoda. Tal como se espera de quem tem educação suficiente para não cuspir na sopa.

Ponto comum a todas as intervenções dos autarcas da actual maioria, quando constrangidos e forçados resolvem responder a quem os elegeu -um monumental equívoco. Em vez de responderem linearmente às questões da opinião pública, refugiam-se regra geral na argumentação alambicada e equívoca.

Há múltiplos exemplos. Sejam quais forem as críticas, são geralmente apelidadas de má-língua ou balelas. É a postura mais corrente. Os senhores autarcas tomam-se por competentes sociólogos. Em vez de responderem às críticas, preferem explicá-las. De modo subjectivo, bem entendido.

Mesmo quando respondem porque entalados pelo contexto, usam novamente o tal equívoco. A população está a diminuir? Afirmam que o fenómeno é geral no interior do país. Tomam-se por especialistas em demografia, ou em geografia humana. Mas soluções, está quieto.

Ocasionalmente, agem também como se fossem advogados, inspectores da PJ ou investigadores universitários. Como naquele caso recente em que Cristóvão respondeu que “se não houver problemas jurídicos”, o processo da ViIla Galé estará assinado antes do fim do ano. Problemas jurídicos? É de mestre. O pessoal a pensar que o grande obstáculo é a tentacular burocracia camarária, e afinal…

Para mudar de rumo, para reencontrar o caminho para o progresso da cidade e do concelho, é urgente acabar com os sucessivos equívocos, que afinal são um só. Os eleitores que se interessam pelos assuntos concelhios, e vão procurando intervir, apesar de para isso haver cada vez menos condições, não querem explicações mais ou menos sensatas, mas laterais, para o que aconteceu. Desejam, isso sim, que os senhores autarcas indiquem em cada caso, de forma inequívoca, um caminho, uma solução, um projecto, para ultrapassar pela positiva o problema antes apresentado. É também para isso que os eleitos são pagos. E não para se armarem em peritos disto e mais daquilo. Ou em juízes em causa própria.

Acabe-se com os equívocos quanto antes. Porque a cidade e o concelho assim o exigem. Deixem-se de atitudes ridículas, tipo diálogo de surdos. Em que uns perguntam por alhos e os outros respondem bugalhos.

Basta!

                     Gualdim Porque Sim

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