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Tomarense gere restaurante português em Macau

Tomarenses pelo mundo

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A mais de 10 mil quilómetros de Tomar, há um hotel que tem como imagem de marca a Janela do Capítulo do Convento de Cristo. Fica em Macau e chama-se Grand Lapa. Mas há outro aspeto que liga a unidade hoteleira a Tomar. É que a gerente do restaurante é tomarense.

Vera Alcobia tem 40 anos e há cerca de 30 que está em Macau, sem nunca esquecer as suas raízes. Aliás, faz questão de manter uma ligação permanente à família que deixou em Tomar, apesar de já se sentir mais macaense do que portuguesa.

Com esta entrevista a Vera Alcobia, iniciamos uma nova rubrica sobre “Tomarenses pelo mundo”. O objetivo é conhecermos um pouco mais sobre os tomarenses espalhados pelos cinco continentes, o que os levou a emigrar, como foi a adaptação nesses países e como lidam com a saudade.

 

 

Tomar na Rede – Há quanto tempo saiu de Tomar?

Vera Alcobia – Em 1991. Já tinha familiares em Macau e eles desafiaram os pais a virem trabalhar para cá. Na altura trouxeram a família, eu com 11 anos e o meu irmão com quatro anos. Completei o 12º ano cá em Macau e voltei para Portugal quando me candidatei à Universidade, continuando a vir a Macau. Mais tarde optei por voltar para trabalhar.

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– Quanto tempo conta ficar em Macau?

Sinceramente não sei. Já é como uma primeira casa para mim. Já me sinto estrangeira quando regresso de férias a Portugal.

 

– Qual a sua atividade profissional?

Estou na área do F & B (food and beverage). Como gerente de um restaurante português num Hotel de 5 estrelas, cuja imagem de marca é a nossa Janela do Capítulo.

 

– Porque optou por emigrar?

Quando regressei, depois da faculdade, estava desempregada em Portugal, e aqui em Macau sabia que ia encontrar trabalho facilmente, visto que a taxa de desemprego varia entre 1 e 2%, em 600 mil habitantes.

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– Como foi a adaptação a um país e a uma cultura diferentes?

A primeira vez foi um pouco difícil. Ainda era uma colónia portuguesa, havia ainda muito o pensamento colonialismo. Só havia portugueses em cargos do Estado e chefias. O meu pai veio para a mesma área que me encontro agora, o que para o meio escolar era um pouco estranho.

Quando voltei a segunda vez foi totalmente diferente. Macau já não era um território português. Tornou-se uma região administrativa especial. E para além disso muito já tinha mudado. Mentalidades, uma nova abertura para o mercado de trabalho de todas as áreas. Trabalhar na restauração «já não é um crime». Visto que Macau, depois de 1999 se tornou uma Las Vegas do Oriente.

 

– Quais foram as maiores dificuldades no início?

Em 1991, senti algumas dificuldades na escola. Era um liceu 100% português e a única escola pública de Macau, e onde havia muito aquela ideia de que «o meu pai é mais que o teu». Quanto a comida, havia poucos produtos portugueses. Vinha tudo nas malas nas férias. Hoje em dia não há necessidade disso. O Português passou a ser a segunda língua oficial, continuamos a ter placas em todo o lado em Português. Produtos portugueses temos em todas as esquinas, desde vinhos, comida, artesanato.

 

– Quais as maiores diferenças que sentiu em relação a Portugal?

As diferenças são muitas. Aqui em Macau as remunerações são melhores do que no interior de Portugal, como em Tomar. O nível de vida é mais caro, mas mesmo assim compensa. Conseguem-se fazer coisas que não imaginaria se ainda estivesse aí.

A ascensão de carreira no meu caso aconteceu com muito trabalho e dedicação nos últimos oito anos. Comecei num pequeno restaurante de rua como empregada de mesa e cheguei aonde estou hoje, como gerente.

Macau é especial, tem um clima especial muito tropical.

A nível gastronómico encontramos restaurantes de quase todos os países, muitos portugueses, que vão variando na comida dependendo da região, do país, do dono, desde a tasca, às 3 estrelas Michelin.

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– Quer partilhar algumas histórias engraçadas, por exemplo no que se refere a choques culturais?

Os chineses adoram a nossa calçada à portuguesa. Existe em todas as ruas e ruelas de Macau.

Um dos maiores choques culturais é eles não estarem habituados a dizer bom dia e obrigada. Acham que isso já está implícito quando dizem olá.

Superstições vão desde não poder virar o peixe por exemplo a sardinha. Eles têm que comer primeiro a carne depois tiram a espinha e continuam a comer. Pois rodar o peixe faz tirar a sorte.

O número quatro não existe na maior parte das mesas dos restaurantes. A pronúncia em chinês significa morte. Mas conjugado com outros números já pode. Por causa disso existem matrículas de carros que são leiloadas e mesmo o número de telefone é escolhido com cuidado.

 

– Costuma frequentar as lojas de produtos portugueses portugueses?

Sim. Produtos portugueses estão em todo lado hoje em dia, desde a loja de conveniência, ao hipermercado.

 

– Quantas vezes e por quanto tempo vem a Portugal?

Quando os amigos e a família começam a reclamar que ando a passear demais em outro sítio.

 

– Como se gere a saudade?

Muito Facetime, mesmo com os avós, a quem damos lições de novas tecnologias. Mesmo longe, hoje em dia estamos muito perto.

 

 

Os tomarenses espalhados pelo mundo que quiserem dar o testemunho sobre a sua experiência, podem contactar-nos por email ou por aqui

Escrita por Redação

Blog informativo Tomar na Rede. Notícias sobre Tomar e região envolvente. Informação local e regional.

Comentários

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  1. Quem já frequentou esse restaurante, do Hotel Mandarin Oriental, de Stanley Ho, terá reparado que se trata da nossa janela do capítulo, mas ligeiramente modificada. No topo, na parte central, desapareceu o escudo nacional e a cruz da Ordem de Cristo, substituídos por símbolos chineses.
    É tudo muito bonito, sendo contudo conveniente ter sempre em conta os detalhes, por aquilo que representam.

    • Pode ser uma confusão mas o Hotel Mandarin oriental em Macau não é do grupo de Stanley Ho, nem o restaurante em causa fica nesse hotel , mas sim no Grand Lapa Hotel em Macau.

      • Creio tratar-se de simples mudança de nome. O Hotel Mandarin Oriental e o dito restaurante ficam mesmo ao lado do cais de embarque/desembarque dos hidrodeslizadores de/para Hong Kong.
        Uma vez que Stanley Ho já faleceu, é natural que tenha havido mudanças.
        O mais curioso é que quando lá dormi, em 1997, ainda Macau era um território sob administração portuguesa, já a janela do capítulo aparecia como está agora: sem o escudo português nem a cruz da Ordem de Cristo. Mas na porta do cerco ainda figurava a inscrição “Honrai a pátria, que a pátria vos contempla” Ainda lá estará?
        A guarnição militar portuguesa foi forçada a abandonar Macau em 1966, por imposição da China.

  2. Sim é o Antigo Mandarin Oriental, que por sua vez passou a ser Grand Lapa e agora Artyzen Grand Lapa. Nunca saindo do mesmo grupo. Neste caso STDM.

  3. Houve várias mudanças no nome do Hotel. Esta é a quarta. Já foi Mandarim Oriental, passou a ser Grand Lapa e agora Artyzen Grand Lapa. Continua no mesmo grupo agora liderado por uma das mulheres do Sr. Stanley Ho.

  4. Volto a afirmar que o Hotel Mandarin Oriental Macau existe fica na Av. Dr. Sun Yat Sen e não pertence a ninguém ligado à família do falecido Stanley Ho.
    O hotel Grand Lapa, sim agora mudou de nome mais uma vez e chama-se Artyzen Grand Lapa e fica na Av. da Amizade em Macau.

    • Caro Sr. Zé Caldas, quando me refiro a isto refiro-me ao edifício em si. «Sim é o Antigo Mandarin Oriental, que por sua vez passou a ser Grand Lapa e agora Artyzen Grand Lapa. Nunca saindo do mesmo grupo. Neste caso STDM.» E o que o que o Sr. Zé diz esta correctissimo.

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