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Desenvolvimento urbano da Cidade?

Opinião de António Rebelo

foto de josé borga flecheiro

Noticiou a comunicação social da zona, conforme pode conferir aqui, que o executivo camarário nabantino aprovou por unanimidade a revisão de três planos de pormenor – Avessadas, Alameda 1 de Março/Rua Santos Simões, Flecheiro e Mercado.

Se não se tratasse da Câmara de Tomar, o normal seria pedir esclarecimentos sobre tão inopinada decisão, a menos de 10 meses do final do mandato. Para saber o PORQUÊ e o PARA QUÊ. Assim, sendo as coisas o que são, antecipando que, mesmo se solicitada ao abrigo da Lei de acesso aos documentos administrativos, a resposta levaria bastante tempo, contentemo-nos com o teor da notícia.

Citando prosa visivelmente enviada pela autarquia, fica-se a saber que “Estas três áreas são cruciais para o desenvolvimento urbano da cidade, cuja revisão dos instrumentos de gestão é fundamental para poderem ser revitalizadas de forma a conseguir a fixação de investimentos e a criação de postos de trabalho.”

Se quem lê estas linhas gosta tanto da língua portuguesa como o autor desta crónica, decerto já estará a ficar arrepiado com tanta impropriedade em tão poucas linhas. Os dislates começam com aquele CRUCIAL = extremamente importante, capital, decisivo, determinante, fundamental. Porquê? Porque não apenas importante ou necessário? Presunções. Autismo. Julgam-se o centro do mundo.

Segue-se “o desenvolvimento urbano da cidade“. Haverá outro desenvolvimento urbano? Os doutos técnicos subscritores, ainda não sabem, ao cabo destes anos todos, que urbano é forçosamente relativo a cidade? Sabem o que é um pleonasmo?  E uma redundância?

Vem depois a “fixação de investimento e a criação de postos de trabalho”.. Nitidamente mais um “chavão” do jargão técnico-urbanístico nabantino. Conforme sustentam os economistas capazes, não há fixação de investimentos, pois o investimento é por excelência nómada. Pode é ser orientado, atraído, aliciado. E quanto à criação de postos de trabalho, infelizmente ainda ninguém sabe muito bem como é que isso se faz sem investimento, pelo que retornamos à impropriedade anterior, aquela do “desenvolvimento urbano da cidade“.

Perante todas estas mazelas, incluindo a deficiente construção frásica, num excerto tão curto, tem razão a presidente Anabela Freitas, quando se lastima em privado da falta de gabarito da estrutura técnica municipal. Sendo a escrita a montra do pensamento, quem não domina esse saber, quem não consegue redigir de forma capaz, dominará outras capacidades não manuais? Os sucessivos erros de projecto, que ocorrem nas obras municipais com demasiada frequência, tendem a mostrar que não.

Mesmo assim, apesar dos vários lapsos, lá se consegue perceber, após atenta releitura, que as previstas manobras burocráticas agora aprovadas pelo executivo se destinam a permitir futuras “obras de requalificação”, desta vez e por enquanto alcunhadas “de revitalização” daquelas três áreas urbanas.

Uma vez que os artistas e respectivos comparsas serão uma vez mais praticamente  os mesmos, cabe desde já alertar os eleitos que ainda queiram ser avisados. Se essas obras vierem a ser do mesmo tipo da Av. Nun’Álvares/Várzea grande e das previstas para a Estrada da Serra, em vez de atraírem investidores, vão afastá-los ainda mais. E obrigar mais cidadãos a fazer a mala e fazer-se à vida.

Estamos cada vez mais lixados, é o que é! Tudo porque há nitidamente falta de inteligência prática no vale do Nabão. Não é uma opinião, é um facto documentado.

 

Adenda

Uma vez que se afirma mais acima haver “deficiente construção frásica”, aqui vai o mesmo fraseado em português escorreito:

“Estas três áreas são importantes para o desenvolvimento urbano, sendo a revisão dos respectivos instrumentos de gestão urbanística indispensável para a sua revitalização, de forma a atrair investimento e criar postos de trabalho.”

Como se constata, poucas alterações mas que tornam o todo muito mais legível. 

                                                                     António Rebelo

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Escrita por António Rebelo

Comentários

Responder
  1. Caro António Rebelo
    Se bem que o “latim” é sempre precioso e as redundâncias evitáveis o grande busílis reside no Desenvolvimento Urbano da cidade, ou seja vamos desenvolver a urbanidade, a urbe, mas com quem ?
    Não seria mais adequado tentar desenvolver o sector industrial e empresarial da cidade para com a criação de postos de trabalho e a captação de habitantes desenvolvermos a parte urbana ?
    Eu em desde jovem participo nos Planos de pormenor do Flecheiro desde 1957 que foi o primeiro (ainda não era nascido) começou como a Zona Industrial de Tomar e por aí adiante…
    Que não se pense que a cidade vai crescer em habitantes e qualidade de vida pela construção de mais edifícios, por outro lado que mais uma vez não se façam planos de pormenor que acabam por nunca ser implementados por lacunas quer legais ou como aconteceu porque pela forma como estavam feitos era economicamente inviável e legalmente muito difícil, anexar as frações todas de um lote no nome de um único proprietário que, eventualmente, poderia construir ou reconstruir, por isso tanto está ao abandono, este é o caso da zona da Rotunda do Bonjardim.
    Mas enfim como diria o Padre Américo, não há rapazes maus, ….

    • Estamos de acordo, meu caro Zé Lopes. Os planos de pormenor só servem na prática para complicar as coisas e assim originar umas escorrências.
      Faltou um pormenor que considero importante. O português demasiado enrolado usado em muitas memórias descritivas nem sempre é simples fruto do acaso, ou da incapacidade do respectivo autor. Pelo contrário. Visa complicar a interpretação e assim facilitar a vida de quem depois, mediante adequada remuneração, saiba e possa ultrapassar mais esse obstáculo.
      Tudo isto nas barbas de eleitos e eleitores. A maioria não entende. Mas há uma minoria que faz como se não entendesse, porque daí retira vantagens.
      É também por isso que eu sou um malandro da pior espécie. Denuncio coisas que devia calar.

  2. Como se diz , cria-se dificuldade para vender facilidade, neste caso usa-se o preciosismo jurídico
    que vai dar, mediante o devido pagamento que 2+2 sejam o que eles quiserem ….
    Bem observado amigo.

    • Citando o poeta popular António Aleixo, com uma pequena modificação:

      Sei que pareço aldrabão
      Mas há muitos que eu conheço
      Que não parecendo o que são
      São aquilo que eu pareço

  3. Acho uma falta de senso da realidade não considerarem estacionamento para automóveis. Os urbanistas devem ser todos do partido Os Verdes, os parceiros dos Socialistas, que projetam sentados confortavelmente nas suas secretárias e imaginam utopicamente uma cidade só com bicicletas e pessoas a caminhar. Nem mesmo consideram os veículos elétricos menos poluentes. Esquecem as pessoas de idade que tem dificuldade em se movimentar e que são os maiores consumidores. Quem realmente precisa de andar, e até correr bastante, a pé é a presidente da câmara.

  4. E não faltasse aqui o estacionamento, se quem pode, deixasse o carro em casa, não estaria a ocupar lugares de quem não pode. Isto numa cidade que se atravessa a pé em 30 minutos e 10 minutos de bicicleta. E sublinho, para quem pode. Para além de que a cidade está cheia de estacionamentos, podem é não ser à porta… Esperemos que os projectos, se algum dia avançarem, tenham a pessoa como elemento central e não o automóvel, como foram as cidades pensadas durante décadas, para além de não esquecer a habitação a preços que se adaptem à capacidade de compra da população.

  5. Diferenças entre Tomar e outro municipios.
    Tomar parques pagos, instalação de carregadores para veiculos electricos de potencia 7.6 kw com carregamento pago, em Torres Novas por exemplo parque coberto com estacionamento gratis e três carregadores de 22 kw com carregamento grátis.
    Depous dizem que as empresas investem em Torres Novas.

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